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See, that’s what the app is perfect for.

Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna
lookclosernow
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What is a soulmate?
It’s like a best friend but more. It’s that one person that knows u better than anyone else. Someone who makes you a better person, actually..they don’t make u a better person, u do that yourself. They inspire you. A soulmate is someone who you carry with you forever. The person who knew you and accepted you, before anyone else did. Or when no one else would. And no matter what happens, you will always love them. And nothing could ever change that.

cosmonaut-fics

Um dia perfeito

cosmonaut-fics

Ship: Hobrien (Dylan O'brien & Tyler Hoechlin)

Capítulo: 1

Palavras: 7.040

Classificação: Livre (Slash, yaoi)

Idioma: Português

Criada em: 24/09/2017

Capa por Oh-Cosmonaut


SINOPSE

Dylan não tinha planejado se perder nem mesmo ficar ensopado na chuva esperando um táxi. Ele também não tinha planejado encontrar uma das pessoas mais incríveis que já conheceu.


CAPÍTULO I 

Dylan parou na calçada próximo a avenida chuvosa, esticou seu braço tentando chamar a atenção de um motorista que pudesse parar e te ajudar. Apesar do inconveniente, sabia o motivo de ninguém parar para ele. Ele estava ensopado, pingando da cabeça aos pés graças a um novaiorquino que passou diretamente em uma poça de água e fez toda chuva espirrar sobre ele e as pessoas em sua volta. Dylan estava na beirada da calçada, tomou um banho, e agora estava torcendo que algum taxista fosse gentil e te tirasse debaixo daquela chuva.

“Com licença?” uma voz atrás dele falou.

Dylan não prestou atenção. Havia muito barulho atrás dele. Casais andando juntos, turistas falando em diferentes línguas que ele nunca ouvira, e pessoas falando nos microfones de seus celulares para não terem de molhar o aparelho enquanto conversavam com alguém distante.

Sentiu um leve tapa em seu ombro e desta vez virou para olhar de onde viera. Havia um homem, um pouco mais alto, segurando um guarda chuva atrás dele. “Precisa de ajuda?” o rapaz perguntou.

“Eu?” Dylan falou. Dylan estava confiante que nunca em sua vida teve a oportunidade de ver essa pessoa, mas por que ele estaria lhe oferecendo ajuda?

“Sim, você. Aqui.” O homem disse, movendo o guarda chuva para proteger o rapaz recém chegado à cidade. Dylan estava fora da chuva, mas ele era forçado a permanecer muito próximo de uma pessoa linda mas completamente estranha. Este foi o momento em que pode observar o alto rapaz. Ele era moreno, crescia uma barba por fazer e seus olhos eram claros. Sua pele clara e o olhar penetrante. Vestia uma jaqueta de couro preta e jeans. “Você precisa de ajuda?” direcionou a pergunta a ele novamente.

“Hm, acho que não. Estou bem.” Dylan respondeu, um tanto desconfortável. “Eu só preciso que um taxista pare.”

O outro riu. “Você pode ficar aqui o dia todo se quiser, mas ninguém vai parar para você. Está ensopado.”

“É, isso é verdade, o que é ótimo.” Respondeu ironicamente.

“Bem, posso te ajudar? Onde está indo?”

“Creio que algumas quadras daqui, no Watson Hotel.” Dylan comentou. “Não tenho ideia de onde seja.”

O moreno riu novamente. “Isso fica a uns 7 quilômetros daqui.”

“Claro que fica.” Resmungou. Se o primeiro taxista o tivesse deixado no hotel certo não estaria enfrentando todo este drama.

“Mas bem… Por que não vem comigo até o meu apartamento, te empresto algumas roupas secas e depois talvez você consiga pegar um táxi até onde precisa?”

“Você quer que eu vá com você até sua casa?” O menor questionou incrédulo. “Eu nem te conheço.”

“Meu nome é Tyler.” Disse. “Agora me conhece.”

“Não acho que seja assim que funcione.” Aquele cara estava realmente falando sério? Dylan encolheu os ombros.

“A escolha é sua. Pode ficar aqui na chuva e tentar pegar um táxi, o que não vai acontecer tão cedo, ou ir comigo até o meu apartamento comigo e depois ir ao seu destino.”

Até mesmo Dylan percebeu que o rapaz estava certo, mas recusou. Sair andando com estranhos em uma cidade onde nada lhe parecida familiar? Péssima ideia. Mas Dylan estava sem opções e começou a ficar desesperado. A empresa de aviação já tinha perdido suas malas e iriam demorar um dia para poder devolver. Roupas secas seriam bacanas, sair da chuva que não parecia ter fim também.

“Como saberei se você não é o assassino do machado?” Perguntou.

“Você não vai.” Tyler respondeu com um sorriso suspeito no rosto. “Esta é a parte divertida.”

Dylan não queria, mas riu da situação. “Ok. Está bem.” Concordou. “Me guie até seu apartamento.”

Tyler o acompanhou segurando o guarda chuva rente ao corpo para acomodar ele e Dylan. O apartamento definitivamente não era nada bonito como os outros por ali por perto, mas o menor percebeu que era bem localizado em sua região.

“É aqui.” Tyler disse.

“Aqui?” Dylan questionou. “Você mora aqui?”

Tyler encolheu os ombros. “Você tem o que pode pagar.” Não sou um milionário e quando me mudei para cá, este era o que eu podia pagar e, mesmo que agora eu poderia me mudar, não me importei com isso.” Explicou. “Você ainda parece bem incerto da sua decisão.”

“Bem, quando eu perguntei se você era o assassino do machado, este era exatamente o tipo de lugar que imaginei onde ele poderia morar.”

“Não é tão ruim assim.” Rebateu. “Só o cara do quinto andar que foi preso por canibalismo no ano passado.” Os olhos de Dylan arregalaram enquanto o outro riu da situação. “Não acredito que acreditou nessa história.”

Dylan se recompôs rapidamente e disse, “Como eu poderia saber? Você me trouxe aqui e me disse que alguém foi preso por canibalismo. O que eu pensaria?”

“Você realmente acredita que eu moraria em um lugar onde um canibal vive alguns andares abaixo de mim?”

“Aparentemente você não lembra das histórias que conta.” Dylan apontou. “Você disse que ele estava preso, então seria seguro morar aqui agora. Nada de ataques canibais para você.”

“Você está certo.” Respondeu. “Agora vamo sair dessa chuva.”

Dylan o seguiu até o elevador e foram até o oitavo andar. “Ah, que cheiro é este?” O menor perguntou cobrindo imediatamente seu nariz.

“Tento não pensar muito nisso, vem do andar debaixo onde um dos canos estourou” Tyler disse enquanto o guiava até a entrada de sua casa. Dylan o encarou quando o outro procurava suas chaves antes de abrir a porta. O mais alto abriu a porta e deixou que ele entrasse primeiro.

Que ótimo que ali dentro o cheiro estranho não dava para sentir. Na verdade, o cheiro dentro do apartamento era realmente bom, um perfume adocicado misturado com o cheiro de chuva que vinha de uma janela do lado oposto.

O lugar ela pequeno, mas era algo que Dylan esperava. A entrada tinha um tapete onde pode limpar os pés e retirar o sapato que conseguiu não deixar toda a chuva encharcar a sua meia. Logo a sua frente estava a sala, um sofá de dois lugares dava de frente a uma parede onde ficava uma TV. Uma porta logo atrás dava acesso a cozinha e o outro era, possivelmente, o quarto de Tyler.

“Não é muito, mas é o que tenho.” Comentou o barbudo. “Fique a vontade.”

Dylan queria perguntar “Onde?” mas achou que poderia soar rude neste momento já que o rapaz estava tentando lhe ajudar.

“Eu devia ter te perguntado antes, mas não trouxe nada com você?”

“Uh, a companhia aérea perdeu minha bagagem.” Respondeu fazendo uma cara triste. “Ou esqueceram de transferir quando aterrissamos. Disseram que dentro de 24 horas entram em contato comigo para poder entregar.”

“Viagem difícil, hein?”

“Você não acreditaria…”

“Bem, me dê um minuto, vou encontrar alguma roupa seca.” Tyler disse. “ Então você me conta sobre isto.”

“O quê? Ah, claro.”

“Legal. Devo ter alguma calça antiga, mas camiseta pequena vai ser complicado.” O mais alto disse retoricamente analisando o corpo do mais novo.

Com isso, Dylan ficou sozinho na sala e pode dar uma olhada melhor no apartamento. Havia alguns papéis sobre a mesa da cozinha. Não tinha nada que pudesse descrever a identidade recém conhecido. Sem fotos de amigos ou familiares. Parecia vazio, para ser honesto, Dylan achou aquele lugar solitário. Mas não podia reclamar. Tyler estava fazendo o melhor para encontrar algumas roupas secas e iria ajudar ele a encontrar o hotel em que era para estar hospedado. Isto era mais que o suficiente.

“Ok.” Tyler disse saindo de seu quarto com as mãos cheias. “É o que eu tenho, espero que sirva. O banheiro fica logo ali.” Disse entregando ao rapaz uma calça jeans azul, uma camiseta acinzentada do Bon Jovi e um par de meias limpas.

“Dentro do seu quarto?” Teve que confirmar.

“Sim.” Respondeu. “É meio ridículo de tão pequeno, mas é assim que funciona um apartamento. Atravesse meu quarto e verá uma porta a direita.”

“Está bem.” Dylan passou pela porta do quarto olhando o suficiente para ver a entrada do banheiro. Novamente ele não queria reclamar do local e tentou não ficar fuçando com os olhos o quarto de Tyler. Era estranho apesar de tudo. Era estranho pois ele acabara de conhecer aquele homem e já estava em seu quarto.

Dylan se trocou, felizmente a calça não pareceu tão larga quanto achou que ficaria. Contudo, a camiseta mais parecia um blusão de futebol americano. Não fazia muito seu estilo, mas era o melhor que podia ter no momento e estavam secas, o que era melhor que a pilha de roupas encharcadas que pingavam sobre a pia do banheiro.

“Olhe só para você.” Comentou o mais alto assim que viu Dylan saindo de seu quarto. “Ficou perfeito.” Continuou com um ar de riso.

Dylan riu da situação. “Onde quer que eu coloque…”

“As roupas molhadas? Estão no banheiro?” Dylan apenas fez que sim com a cabeça. “Eu cuido delas. Posso colocar para lavar na máquina e elas saem secas.

Tyler desapareceu por alguns minutos e Dylan teve a oportunidade de ficar confortável no sofá. Era realmente um apartamento pequeno, menor que qualquer um em sua cidade, mas se Tyler gostava dali, estava bem. Não era como se ele precisasse gostar daquilo tudo.

“Percebi que você sabe meu nome, mas ainda não sei o seu.” Tyler comentou enquanto voltava para sala e se aproximava do menor. “Considerando que você está vestindo minhas roupas, é o mínimo que eu mereço.” Brincou.

“Dylan.” Respondeu com uma risada.

“Bem, Dylan, é ótimo te conhecer.” Respondeu enquanto sentava no lado oposto do sofá. Tyler estava do outro lado do móvel, mas era tão pequeno que estavam a alguns centímetros de se encostarem. “Obviamente você não é daqui.”

“Como adivinhou?”

“O fato de estar parado no meio de uma chuva, completamente perdido e precisando de ajuda.”

“Definitivamente não foi meu melhor momento.” Rebateu. “O taxista que estava comigo me levou até o hotel errado, o que tornou tudo mais complicado.”

“Imagino. Mas por que está aqui?”

“A trabalho.” Respondeu Dylan. “Eles me mandaram para fechar um acordo com uma empresa da cidade.”

“Acordo?”

“É… Trabalho para uma seguradora.” Continuou, mas sem ânimo na voz.

“Você não parece gostar muito.” Tyler comentou.

Ele estava certo. Dylan não gostava muito do que fazia, mas era o que o ajudava a pagar suas contas e não era o pior serviço, ele só não gostava. Não podia reclamar demais. “Quero dizer, faço o intermédio dos acordos entre nossa empresa e as parceiras, não é algo tão empolgante, mas existe coisa pior por aí.”

“Sim, mas por que ficaria em algo que odeia?”

“Eu nunca disse que odiava.” Protestou. “Eu só não amo o que faço. Tem uma grande diferença entre odiar e tolerar. Eu tolero. É algo que posso fazer, a empresa é bem bacana, consigo fazer a quantia de dinheiro necessária para viver bem. E ainda posso viajar vez ou outra.

“Se é isso que você pensa, bom para você.” Tyler comentou. “Eu nunca me acostumaria a isso.”

“A quê?”

“Ficar em um emprego que não gosto muito.” Explicou. “Quero dizer, eu já trabalhei em diversos lugares. Caixa de loja, fast-food, passeios com cachorros… Pode dizer alguma profissão, provavelmente já trabalhei com ela. Odiei a todos estes serviços.”

“Mas então o que você faz?” Indagou Dylan. “Você tem que pagar suas contas de alguma forma.”

“Ou eu nasci rico.” Tyler sugeriu.

Dylan sabia que esta não era a opção correta. “Se você nasceu rico, por que estaria vivendo aqui ao invés de uma mansão no melhor lugar da cidade?”

“Ok, você me ganhou nessa.” Concordou. “Sou tatuador. Tenho um estúdio algumas quadras daqui.”

“Tatuagens? Você tem alguma?”

“Não. Fiz o curso há alguns anos, é uma arte que me fascina, mas não no meu corpo.”

“Mas gosta do que faz?” Dylan perguntou.

“Pra caramba, mais do que qualquer outro emprego que já tive. É muito melhor que o seu tipo de emprego.”

Dylan rolou os olhos.

“Não, não dessa forma.” Tyler explicou. “Todos os dias são diferentes. Digo, você sempre está enfiando agulhas nas pessoas, mas é sempre algo diferente. Você está sempre desenhando coisas novas, conversando com pessoas diferentes. Você ouve cada história maluca enquanto tatua.”

“Bem, você também ouve histórias insanas trabalhando com acordos. Como pessoas que dão eles mesmos uma hérnia somente por ir ao banheiro.”

“Mas que merda?!”

“Eu também não entendi.”

“Touché. Você realmente ouve coisas estranhas trabalhando com  acordos.”

Houve um momento de silêncio, cada um foi deixado apenas em seu pensamento. Fora o silêncio, o local não era quieto. Dali era possível ouvir carros nas ruas, pessoas conversando enquanto andavam pelo corredor do apartamento, e alguns ruídos vindo das paredes que Dylan não queria pensar no que poderia ser.

“Então…” Tyler disse. “Temos algumas horas até que suas roupas sequem. Podemos ficar aqui sentados no meu apartamento ou, já que é um turista, posso te dar a chance de conhecer a grande Nova Iorque. Você escolhe.”

“O quê?”

“Você escolhe.” Repetiu. “Ficar por aqui ou fazer algo interessante em Nova Iorque.”

“Tipo um encontro?”

“Bem, eu gostaria de sair em um encontro com você. Muito mais agora que está vestindo minhas roupas.” Tyler respondeu. “Mas se não quiser que seja um encontro, então não precisa ser.”

Um encontro? Tyler estava mesmo o chamando para um encontro? Eles se conheceram algumas horas atrás. Tyler já tinha convencido Dylan a ir até sua casa e tirar suas roupas, então… “Claro.” Dylan disse finalmente. “Um encontro parece incrível.”

O sorriso no rosto de Tyler provou que Dylan tinha feito a decisão certa.

***

“Onde estamos indo?” Dylan indagou. Ele ainda vestia a grande camiseta do Bon Jovi que Tyler tinha lhe emprestado enquanto seguia o maior pelas ruas de Nova Iorque. A chuva havia parado e o sol começara a aparecer timidamente por detrás das nuvens escuras.

“Se eu te contar não será mais uma surpresa, não é mesmo?”

“Ok. Duas coisas.” Dylan comentou. “Um: Esta é a frase mais clichê que já ouvi. Dois: Quando foi que disse que seria uma surpresa?”

“Achei que estava implícito.” Respondeu com um sorriso enquanto viravam mais uma esquina. “Quero dizer, temos você, um grande agente de negócios em uma cidade completamente estranha. Temos eu, um cara que mora aqui há mais de 10 anos, voluntariando o seu tempo para mostrar o que tem de melhor na cidade de Nova Iorque.

“Você vai realmente me mostrar tudo o que tem de melhor nesta cidade em apenas uma noite?” Pararam no sinal vermelho de uma grande avenida.

“Não toda cidade, mas os melhores lugares.” O semáforo mudou seu sinal dando passagem aos pedestres e eles puderam atravessar a rua. “Estou torcendo que possamos nos ver de novo.”

“Você sabe que estarei aqui somente esta semana, certo?” Dylan perguntou, tomando certeza para que os planos de Tyler não fossem além daquilo.

“Bem, então temos que correr.”

Tyler guiou Dylan mais algumas quadras até pararem em frente a entrada de uma estação de metrô. “Uh, Tyler. Eu não sei se sabe, mas não sou daqui. Não tenho passes para trens.”

“Eles fazem passes diários, sabia?” Tyler rolou os olhos. “Deixe de se preocupar e me siga.”

“Tudo bem.”

“O quê?” Tyler questionou voltando os olhos para Dylan. “Não confia em mim?”

Dylan suspirou. “Bem, você ainda não me desapontou.”

Tyler apenas sorriu. “Perfeito.” Disse finalmente. “Então não tem com o que se preocupar.”

Ao final das escadas, Dylan foi guiado por Tyler até uma máquina que permitia que ele comprasse seu passe diário. “Você pode escolher este, para caso prefira ter o passe para toda semana.”

“O que aconteceu com o passe diário?” Dylan perguntou.

“Você pode escolher ele também, mas acho que você vamos nos divertir juntos e você vai querer me ver novamente.”

“Você parece convencido de que vai rolar um segundo encontro.” Dylan respondeu seriamente, mesmo que ele já estivesse com a mão sobre o botão do passe para toda a semana.

“Acho que tenho boas chances” Tyler comentou. “Além do mais, é mais barato que comprar dezenas de passes diários.”

Tyler estava sendo honesto com ele, teve que concordar. E naquele momento Tyler teria boas chances de conseguir um segundo encontro.

A máquina liberou o passe de Dylan. “Tudo bem, para onde vamos?”

“Me siga.” O maior disse, tomando frente e abrindo passagem entre os nova iorquinos e turistas que tomavam caminho até as catracas.

Tyler passou seu cartão e a porta abriu liberando passagem para o moreno mais velho. Dylan repetiu os movimentos do primeiro, mas sua passagem não foi liberada. Tentou novamente e nada aconteceu.

“Sério?” Murmurou. Ele se virou para Tyler que estava rindo para o menor. Finalmente, na terceira tentativa, o passe funcionou e liberou passagem para Dylan se juntar a Tyler.

“Mas que turista, hein?” Brincou sabendo que deixaria Dylan envergonhado.

“Não sou um turista.” Comentou. “Estou aqui para negócios e não tinha planejado usar o metro.”

“De onde eu venho, isso é ser turista.”

Dylan rolou os olhos, mas continuou acompanhando Tyler pela estação. Tiveram que aguardar alguns instantes, mas logo o trem parou e puderam embarcar. Não havia lugares para se sentar, então ambos foram até o fim do vagão e se seguraram nas barras acima de suas cabeças para não caírem quando o trem voltasse a se locomover. Infelizmente para Dylan, isso não foi suficiente para que perdesse um pouco do equilíbrio e quase derrubar diversas pessoas. Tyler novamente riu da situação.

Dylan não tinha certeza para onde estavam indo. Ele apenas fitava Tyler aguardando alguma indicação de que poderiam sair, mas não estava certo de que isso poderia acontecer. Tyler tinha um rosto firme, sobrancelhas expressivamente grossas. Mais acima o cabelo estava jogado para trás. Após algumas paradas, Tyler olhou diretamente nos olhos de Dylan que fez o corpo do menor congelar. “Aqui.” Indicou que já poderiam desembarcar. “Por este caminho.” Completou, liderando Dylan mais uma vez.

Dylan seguia Tyler enquanto tentava ter uma visão da cidade. Nova Iorque era tão diferente de sua cidade, São Francisco, Califórnia. Não era uma cidade pequena, mas havia algo em Nova Iorque que a tornava completamente diferente. Talvez fossem todas as pessoas de diferentes partes do mundo. Talvez fosse tudo em sua volta. Talvez fosse Tyler. Dylan não sabia com certeza, mas o que ele sabia era que estava adorando.

“Aqui estamos.” Tyler disse assim que pararam.

“Onde estamos.” Perguntou Dylan. Tinham parado em frente a um prédio velho, não muito diferente do apartamento de Tyler. A diferença estava no letreiro de neon pendurado pouco acima da porta de entrada indicando o nome do local. Sem contar que duas das letras estavam queimadas. Tudo o que podia pensar é que nunca entraria ali se estivesse sozinho.

“Tavatelli’s” Disse Tyler. “A melhor pizza de Nova Iorque.”

Dylan olhou novamente para o prédio e não teve tanta certeza do que o moreno dissera.

“Você não acredita em mim.” Completou. “Posso ver pelo seu rosto.”

“É que…” Dylan começou. “Se formos parar para analisar o prédio, este lugar não poderia vender comida.”

“Sei que não tem a melhor aparência, mas te prometo que não comerá nada estragado ou envenenado.”

Envenenamento era o menor dos problemas. “Não consigo acreditar que estou confiando em você.” Dylan disse finalmente. “Melhor não me desapontar.”

“Eu prometo que não vou.”

Eles entraram e Dylan não estava surpreso com a aparência do lado de dentro. Nada de diferente do que vira lá fora. Algumas mesas e cadeiras estavam espalhadas por todo salão, algumas com marcas do tempo, mas mesmo assim o local era movimentado.

“Olá, Tyler.” Um senhor no balcão os recebeu. “O que irá pedir hoje.”

“Uma fatia de pepperoni com cogumelos. E o que ele quiser.” Disse apontando para Dylan.

“O mesmo para mim.” Dylan disse. “Pode deixar que eu pago. É o mínimo que posso fazer para te compensar.”

“Uau, um cara que insiste em pagar pelo meu pedaço de pizza.” Tyler brincou. “Sorte a minha.”

“Se continuar falando dessa forma, esqueça.” O menor comentou. “Você paga pelo seu próprio pedaço.”

“Existem outras maneiras de você se compensar comigo.” Tyler disse levantando as grossas sobrancelhas.

Dylan rolou os olhos, sabia exatamente sua intenção com aquela frase, mas estava fora de questão. Pelo menos por esta noite. Provavelmente. “Não se continuar agindo dessa forma.” Retrucou.

“Não pode me culpar por tentar.” Respondeu dando de ombros.

Dylan voltou sua atenção para o senhor no balcão e pagou pela pizza. Assim que pagou, uma senhora voltou com dois enormes pedaços de seus pedidos. “Uau.” Dylan disse quando recebeu sua fatia. “Ficaremos aqui?”

“Claro que sim.” Respondeu o mais velho enquanto procurava uma mesa para se sentarem. “Você tem que viver toda experiência nova iorquina.”

“E essa experiência inclui comer pizza em um lugar antigo?”

“Você está começando a perceber.” Comentou Tyler enquanto levava sua pizza até a boca e lhe arrancava um grande pedaço.

Dylan continuava cético. Como este lugar, que precisava urgentemente de uma reforma e limpeza, poderia ter a melhor pizza de Nova Iorque? Mas Dylan engoliu sua pergunta e levou um pedaço de pizza até sua boca. Mordeu e disse: “Puta que pariu!”

“Te disse.” Tyler brincou. “A melhor pizza da cidade.”

“Eu prometo não duvidar de você novamente.” Dylan comentou. A pizza realmente era tudo e sem dúvidas a melhor que já tinha provado em sua vida.

“Promete?”

“Eu juro.” Disse. “Sem mais perguntas. Vou te seguir cegamente contanto que tenha comida.”

“Ao menos você é fácil de agradar.” Tyler respondeu rindo.

Dylan comeu mais um enorme pedaço da pizza e disse: “Ei, sou pequeno, mas como demais. Comida sempre funciona.”

“Ficarei com isso em mente.” Tyler disse. “Mas então, de onde você é?”

“Califórnia.” Comentou. “São Francisco, especificamente.”

“São Francisco? Não brinca. Eu nasci em Los Angeles.”

“Engraçado como dois californianos acabam se esbarrando no meio de Nova Iorque.” Dylan completou.

“Definitivamente.” Concordou Tyler. “Mas agora me conte mais sobre você.”

E então conversaram.

Dylan contou sobre sua vida em São Francisco. Seus pais e sua infância. Contou que deixou a casa dos seus pais para morar mais perto da faculdade e nunca mais voltou. Tinha uma irmã que agora estava cursando faculdade perto de onde morava, mas não quis morar com ele quando ofereceu, pois era muito grudada com seus pais. Contou sobre seu emprego como administrador e suas viagens, sempre tentando deixar as coisas mais interessantes pois sabia que sua vida não tinha lá algo que fosse bacana. Disse para Tyler sobre seus hobbies e interesses, como adorava ler e não viveria sem esportes, mesmo que seu time não estivesse indo bem naquele ano.

Tyler não disse muito como Dylan. Contou a ele sobre sua vida em LA e como foi parar em Nova Iorque quando tinha apenas 18 anos, mas de alguma forma fez funcionar. Contou sobre como começou a tatuar e suas tatuagens mais recentes e engraçadas que tiraram risadas longas de Dylan.

***

“Sem dúvida a melhor pizza que já comi.” Dylan comentou enquanto saiam do estabelecimento. Conversaram por algumas horas e esqueceram do mundo. Finalmente, o dia que começara desesperador para o menor, estava finalmente tomando um rumo diferente. Havia tempo que ele não tinha um dia como este.

“E você ainda duvidou de mim.” Tyler brincou.

“Eu já me desculpei e prometi não fazer de novo. O que mais quer de mim?”

Tyler pareceu pensar um pouco. “Que tal eu te perguntar isso?”

“Apenas se me contar onde estamos indo.” Comentou.

“Eu já te disse que não será uma surpresa se eu contar, não disse?” Tyler perguntou.

“Disse.” Respondeu o menor. “Mas isso não muda o fato de eu ainda querer saber onde estamos indo.”

“Vamos para o metrô novamente.” Tyler comentou enquanto guiava Dylan rua abaixo até a estação.

“Isso não ajuda em nada. Eu não conheço nada por aqui.”

“Eu sei.” Disse sorrindo. “Isso torna tudo mais divertido.”

***

Eles embarcaram no metrô e deixaram o mesmo após duas paradas. “Tudo bem, acho que conheço este lugar.”

“Sério?”

“Bem, não acho que existam muitos parques em Nova Iorque.” Respondeu Dylan.

“Você é um ótimo detetive.” Tyler comentou.

“Você me disse que iria me levar até os melhores lugares da cidade, em algum momento pensei que iríamos parar no Central Park.”

Tyler encolheu os ombros. “Este é um dos lugares que todos deveriam visitar. Digo, clar que poderia te levar até a Estátua da Liberdade ou a Times Square, mas aqui é diferente.”

“Não chamaria o Central Park de ponto turístico?” Perguntou Dylan. Eles atravessaram a rua e entraram no parque, Tyler caminhava próximo de Dylan agora com muito menos espaço entre eles.

“Poderia.” Respondeu. “Mas não é um ponto que chama atenção de todos. É um grande espaço verde no meio da cidade. Fora isso, é um dos lugares que eu insistiria para você conhecer antes de voltar a São Francisco.”

“Eu te disse que estaria aqui apenas por uma semana.” Dylan disse. “E considerando meu emprego e tudo por lá, devo voltar em breve.”

“Mas tem apenas uma semana agora.”

“Uma semana.” Dylan repetiu.

“Isto não é tempo suficiente.”

“Eu sei, mas é por isso que estou contando com você para me mostrar os melhores pontos da cidade.” Completou. “Ao menos, sei onde conseguir a melhor pizza da cidade.”

“É verdade.” Tyler respondeu. “Agora temos apenas algumas coisas a fazer antes de eu te liberar para ir embora.”

“Não vai me contar o que são estas coisas?”

Tyler riu, era exatamente o que Dylan pensou que ele faria.

“Deixe-me adivinhar. Isso tiraria toda a diversão da surpresa.”

“Você está me entendendo.”

Dylan rolou os olhos novamente assim que continuaram a andar. Tyler parou e sentou em um dos bancos e chamou o garoto para se juntar a ele. Era bom. Um pequeno banco no Central Park, na melhor cidade de todo o mundo. Para melhorar, Dylan encontrou a melhor pessoa que teve a oportunidade de conhecer em anos. Fora o início do dia, ele não podia reclamar de nada agora. O dia estava finalmente tomando o rumo da perfeição.

“Mas por que Nova Iorque?” Dylan perguntou, quebrando o silêncio.

“Oi?”

“Por quê Nova Iorque? Digo, existem milhares de cidades pelo mundo, por quê você saiu de Los Angeles e veio para cá?”

“Tive que deixar.” Tyler disse com o olhar distante.

Não fez sentido para Dylan. Na pizzaria, Tyler parecia sem palavras em ver alguém da Califórnia, mas agora parecia que odiava o lugar. “Deixar Los Angeles?”

“Não Los Angeles.” Explicou o mais alto. “Havia diversas coisas. Minha família e eu… Nós não somos a melhor família do mundo, tive que sair de lá. Não sabia para onde ir, mas peguei um avião sem saber direito o que faria, sabe? Tinha alguns trocados guardados, tomei o avião para Nova Iorque e, de alguma forma, tudo foi dando seu jeito.”

“Uau.” Dylan comentou. “Não sei se conseguiria fazer algo dessa forma.”

“O que te fez ficar na Califórnia?” Disse Tyler mudando de assunto.

Dylan deu de ombros. “Fui para a faculdade local em São Francisco. Sempre fui apaixonado por aquela cidade. Poderia sim ter ido para outro lugar, mas não sei.” Explicou. “Acho que foi assim como você e Nova Iorque. Apenas aconteceu.” Continuou, agora com um sorriso no rosto. “Me formei, encontrei um emprego na cidade e nunca o deixei. Aconteceu.”

“Inacreditável como algumas coisas apenas dão certo.”

“Sim.” Dylan concordou, pensava sobre tudo o que aconteceu naquele dia. Era uma total loucura que Tyler apareceu caminhando no momento certo e estava disposto a lhe ajudar. Se ele não tivesse parado, Dylan não sabia como estaria agora.

A conversa morreu e ambos ficaram calados por alguns minutos admirando o parque. Apesar de ser uma das maiores cidades do mundo, era tranquilo ficar por ali. O movimento e barulho da cidade ainda estavam presentes, mas naquele local, tudo era calmo como nunca. Era como pressionar o pause na sua própria vida e poder admirar tudo em sua volta. Pela primeira vez em um bom tempo, Dylan pode pensar melhor em sua vida.

“Mas como você acabou aqui?” Tyler disse, sua voz falhou no início após o longo silêncio.

“Acabei aqui?”

“Onde te encontrei.” Completou.

“Meu terrível senso de direção.” A realidade era que Dylan nunca foi bom com mapas e teve sorte de encontrar um taxista tão perdido quanto ele. “Eu dei o endereço incorreto para o meu taxista, quando percebi o erro, ele já tinha partido.” Comentou. “Nisso o tempo tinha fechado e a chuva estava caindo. Daí para frente tudo foi por água abaixo.”

“Você não considerou em pedir ajuda no hotel em que estava? Mesmo sendo o errado? Poderiam ter pedido um outro táxi para você.”

Dylan tentou ao máximo ignorar o olhar de Tyler e focou firmemente no chão. Esta era a coisa mais lógica a fazer, mas Dylan não pensou nisso em momento algum. Ele apenas entrou em pânico e correu de volta onde tinha descido do carro. “Se tivesse feito isso, não teria te conhecido.” Admitiu.

“Bem pensado.”

“Passei as últimas horas ouvindo você.” Disse Dylan. “Foi o melhor que aconteceu.”

Tyler riu. “Tem coisas muito melhores.”

“Tipo o quê?”

“É o nosso primeiro encontro” Tyler comentou. “Quer mesmo que eu conte meus maus hábitos agora?”

“Provavelmente não.” Admitiu o menor. “Mas já que tocamos no assunto, estou preparado.”

“Não sei o que te contar.” Tyler disse.

“Qual é.” Dylan comentou abrindo os braços. “Está me dizendo que você é perfeito e não tem nenhum mau hábito?” Ele aguardou para ver se Tyler poderia admitir alguma coisa. “Nada? Nada que eu pudesse considerar nojento, estranho ou incorreto? Acho muito difícil de acreditar.”

“Está bem.” Tyler disse finalmente. “Me deixe pensar.”

Dylan rolou os olhos, porém permaneceu em silêncio. Sabia que havia diversas coisas estranhas, nojentas e incorretas e muitas outras que poderia dizer. Claro que não ele precisaria admitir todas, especialmente no primeiro encontro, mas era onde eles tinham chegado. O que ele não esperava era que Tyler demorasse tanto para responder. Todo mundo tem algo. Todo mundo tem algo que vem primeiro a cabeça.

Mas talvez ele fosse uma exceção. Talvez Tyler fosse realmente perfeito e não tinha nenhum defeito.

“Está bem. Sério?” Dylan não poderia esperar mais. “Tem que a ver algo.”

“Realmente tem algo, mas não acho que seja bom falar sobre isso agora.” Tyler comentou. Dylan não podia lhe culpar.

“Mas então temos algo. Você rói unha ou algo assim?”

“Eu ronco.” Tyler disse finalmente.

“Isso não é ruim.”

“Como um trator.” O maior completou.

“Ok, eu acredito em você.” Dylan disse. “Mas roncar foi a melhor coisa que conseguiu pensar?”

“Sim, e se for me insultar por isso, pode me contar os seus e eu irei julgar.”

“Tudo bem.” Dylan respondeu. Como teve tempo, pode pensar em sua resposta. “Bem, eu também ronco, às vezes, mas nada comparado com um trator. Sou horrível em lavar roupa, elas ficam jogadas em um canto da minha casa por dias até que aquilo me incomode e eu levo tudo para lavanderia. Sou distraído e desleixado. preciso continuar?”

“Se você quiser…” Tyler respondeu. “Mas acho que já entendi.”

“Como chegamos nesse assunto?” Dylan perguntou. “Como estávamos falando sobre nossas vidas e agora estamos falando de nossos péssimos hábitos.”

Dylan percebeu que ele estava pensando antes de admitir. “Eu não faço ideia, mas passamos por diversos assuntos em nosso primeiro encontro.”

“Provavelmente.”

Ao invés de continuarem a conversa, os dois rapazes permaneceram em silêncio analisando as pessoas que caminhavam pelo parque.

“Você faz isso com frequência?” Dylan finalmente perguntou.

“Faço o quê?”

“Sentar aqui e ver as pessoas.”

Tyler fechou o cenho. “Às vezes.” Respondeu. “É bom vir aqui e analisar tudo a sua volta. É como ter um tempo só seu para pensar.”

“É ótimo.” Comentou Dylan. “Eu não faço muito isso.”

“Poucas pessoas fazem.” Tyler concordou. “Mas às vezes tudo está uma bagunça e eu venho para cá e faço isso.”

“Então hoje foi uma bagunça?” Dylan perguntou olhando fixamente o rosto expressivo de Tyler.

“Claro que não.” Ele prometeu, voltando o rosto para Dylan. “Eu só achei que gostaria de conhecer. Digo, é o meu lugar favorito, mas achei que você iria gostar de conhecer. Não só ver, mas poder experimentar. Experimentar torna tudo diferente. Vir aqui e dar uma olhada você pode fazer em sua casa pelo Google. Mas vivenciar isto? É totalmente diferente.

“Confesso…” Dylan começou a dizer. “Se tivesse me contado, teria ficado desanimado em vir em um parque e ainda estou um pouco. Existem coisas, como aqui, que você pode apenas olhar, diferente de outras que podem ser vivenciadas por um todo.”

“Tenho que discordar. Tudo tem que ser vivenciado, não apenas visualmente.”

“Talvez um dia você consiga me convencer sobre todas estas coisas.” Dylan respondeu.

“Espero conseguir.” Comentou Tyler como se não houvesse dúvidas sobre ele e Dylan fazer mais passeios como este novamente. Este dia maravilhoso que Dylan teve em Nova Iorque e pode vivenciar a cidade. “Então, ainda temos algumas horas e várias coisas para ver pela cidade.”

“Ok.” Dylan respondeu sem hesitar. “Me guie.”

Dylan e Tyler se levantaram do banco e partiram. Durante a caminhada para o novo destino, suas mãos se tocaram e os dedos entrelaçaram. Dylan ficou surpreso por um instante, mas deixou acontecer e aproveitou a maré de sentimentos que tomou conta dele.

Assim como os outros pontos da cidade que foram, Dylan não tinha certeza para onde estavam indo. Contudo, ele não estava preocupado pois Tyler não tinha lhe desapontado. Era loucura pensar que ele conhecia Tyler à algumas horas e, mesmo assim, poderia confiar nele. O simples fato de Tyler ter o ganhado.  Ele tinha sido tão gentil a noite toda, mesmo que o cérebro de Dylan ainda questionava se tudo aquilo estava certo. Ele pensava enquanto caminhava de mãos dadas e vestido com as roupas de um estranho.

Mas então existia algo em Tyler que fazia Dylan ficar fraco e confiar naquele rapaz completamente. Era complicado admitir, mas Dylan estava mais feliz que nunca.

Neste momento, a viagem deles não pareceu tão longa, mas estava tudo bem. Dylan ainda tinha Tyler ao seu lado e era isso que importava. Os dedos entrelaçados, andavam lado a lado pela cidade. Para Dylan esta era a prova de que tudo estava se saindo bem, que de alguma forma, a sua ideia maluca de ir para casa de um estranho realmente funcionou com ele.

Eles voltaram para o metrô novamente como da última vez. Dylan se sentiu perdido. Apenas seguiu Tyler, confiando que este te levaria para um novo e ótimo local.

Dylan não conseguia parar de fitar Tyler durante todo percurso subterrâneo. Ele apenas o olhava, tentando guardar na memória o rosto do mais alto porque sabia que não importava o que acontecesse naquela noite, ou no resto de sua vida, ele não iria querer esquecer Tyler.

“O quê?” Perguntou o mais velho ao perceber que Dylan o encarava.

“Nada.” Dylan corou e virou o olhar. Não queria parecer óbvio ao fitar o rapaz.

Quando olhou novamente, estava envergonhado, Tyler estava encarando ele com um sorriso no rosto. “Pensou que eu não iria perceber?”

Dylan deu de ombros. “Torci que sim.” Respondeu. “Podemos esquecer isto?”

“Apenas se me desculpar por fazer a mesma coisa.”

“Estava me encarando?” Perguntou. “Quando isso aconteceu?”

“Digamos que sou mais sutil que você.”

“Oh.” Disse surpreso. “Então não vai me contar quando aconteceu?”

“Você vai acabar percebendo uma hora.”

Dylan virou os olhos. Ele podia saber que a resposta estava vindo, mas ainda sim queria saber quando. Tyler tinha feito um bom trabalho com tudo, Dylan mau podia aguardar o que mais fariam aquela noite. Não conseguia mais esperar.

“Descemos na próxima parada.” Tyler disse um minuto depois.

Quando o trem parou e as portas abriram, eles desembarcaram e novamente Dylan segiu o mais velho. “Vamos andar algumas quadras.” Comentou. “Mas estamos próximos.”

“Está tudo bem.” Confessou.

Novamente eles deram as mãos. Estavam passeando de mãos dadas até um lugar desconhecido e Dylan só conseguia pensar se era daquele jeito que o céu seria.

Pela hora, a noite já cobria toda cidade de Nova Iorque. A chuva tinha parado completamente e as nuvens ido embora.

“Aqui estamos.” Tyler anunciou.

“Onde estamos?”

“Dê uma olhada.”

Então Dylan o fez. Seguiu o olhar de Tyler e pode ver o contorno da cidade. Uma das visões de tirar o fôlego de qualquer um.

“Uau.” Sussurrou. Estava sem palavras admirando a vista. A calma do rio, a cidade iluminada pelos arranha-céus do outro lado, a ponte que conectava os dois lados. Era perfeito.

“Imaginei que fosse gostar.”

“É lindo.” Disse Dylan. Era tão lindo que não conseguia imaginar algo assim. Já tinha visto fotos, mas nada comparado a estar ali e viver aquilo.

Dylan fez o que pode para absorver cada detalhe. A linda imagem que se formava em frente de seus olhos, os sons ainda estavam ali, o cheiro do rio e das árvores nas calçadas. Como era bom ter a mão de Tyler firme segurando a sua. Ele poderia ficar ali por horas, apenas vivenciando a paisagem. Pela primeira vez em um bom tempo, se sentiu tranquilo. Sentiu paz e tranquilidade como se o mundo estivesse bem. Era como se ele pudesse ficar por ali para sempre.

Dylan percebeu os olhos de Tyler analisando cada uma de suas expressões, então se virou para ele. Sem pensar, chegou mais perto de Tyler e pressionou seus lábios contra os dele. Fogos de artifício explodiram em sua mente e Tyler o puxou para mais próximo de si.

Estava enganado. Este era o momento que Dylan poderia viver para sempre. Aquele momento, onde os lábios de Tyler encontraram os dele. Ele podia sentir o calor da boca do mais alto. Podia sentir cada movimento de seus lábios e braços em sua volta.

Dylan levou os dois braços pelo corpo de Tyler, tentando ficar mais próximos. As bocas nunca deixaram onde estavam, o momento era perfeito.

Mas tudo tem um fim, e eles se distanciaram. Não muito, mas o suficiente para Dylan olhar novamente para o rosto de Tyler. Se pudesse, ele nunca o deixaria. Ficaria com Tyler para sempre.

É louco pensar que tinham se conhecido na manhã daquele dia, horas atrás e agora estavam ali, parados juntos como se estivessem apaixonados durante anos. Talvez eles estivessem apaixonados a muito tempo e nem sabiam. Tudo o que Dylan podia ter certeza era que Tyler fez tudo por ele. Chame de amor à primeira vista, chame de paixão, chame do que quiser. Ele não se importava. Tudo o que se importava era Tyler. Não interessava mais se tinham se conhecido à poucas horas. Tyler estava ali por ele, mesmo sem saber se o sentimento era recíproco. Dylan sabia que nunca teria esta experiência novamente em sua vida.

Ao olhar novamente para Tyler, tudo o que podia ver era um enorme sorriso por todo seu rosto naquele momento. Dylan sabia que ele sentia da mesma forma.

“Não sei o que dizer.” Dylan quebrou o silêncio.

“Não diga nada.”

Ele não conseguiu segurar e riu da resposta. “É tão clichê.”

Tyler encolheu os ombros. “Algo me diz que você não se importa.”

“O que te faz pensar isso?’

“Isto.” Tyler disse antes de puxar Dylan para perto e beijar ele novamente.

Dylan não tinha ideia de como foram parar ali, mas não se importava. Ele estava feliz e tinha alguém para compartilhar esta felicidade. Era tudo o que importava agora.

Tyler o soltou e Dylan apenas fitou seu rosto. Ele era uma completa perfeição e Dylan sabia disso. “Deveríamos voltar para seu hotel.” Tyler disse.

“Mas eu não quero ir.” Era verdade. Ele não queria deixar Tyler, especialmente agora.

“Pensei que tivesse vindo para cá a trabalho.”

“Sim.” Dylan suspirou. Este era o problema. Ele era um cara de negócios e não poderia ficar. Ele teria sorte se pudesse ver Tyler novamente ainda esta semana.

“A não ser que queira deixar seu emprego.” Brincou Tyler com as mãos na cintura do menor.

“Esta não é nem de longe uma opção.” Respondeu. “Mas que tal nos encontrarmos amanhã?”

“Maravilha!” Tyler concordou.

Dylan tirou o peso de seu peito ao saber que poderia voltar a ver Tyler. Fez tudo ficar melhor. “Terá que me dar seu número para -.”

“Você me ligar assim que terminar seus assuntos de homem de negócios.” Tyler disse, completando a frase do outro. Como era incrível ver que eles já conheciam um ao outro a ponto de terminar a própria frase.

“Te darei.” Dylan prometeu. Ele com certeza daria.

Tyler os guiou novamente até o metrô e voltaram até seu apartamento. Lá, Dylan pegou suas roupas agora secas. Teria um motivo para voltar amanhã, ainda vestia as roupas de Tyler.

“Pode me devolver amanhã.” Ele disse.

“Claro.” Respondeu. Ele sabia que veria o mais velho no outro dia, mas ter um motivo lhe dava certeza de que realmente se encontrariam novamente.

Tyler o acompanhou até o metrô e levou Dylan até o hotel onde ficaria hospedado naquela semana. Não era tão distante como pensaram, mesmo assim ele não tinha certeza se conseguiria fazer aquele caminho sozinho no outro dia. Ele estava focado em Tyler.

Dylan não queria que acabasse. Claro, não queria deixar Tyler partir, mas agora enfrentava a realidade, estavam em frente ao hotel e ele precisava voltar, o que tornava tudo mais difícil. Deu seu número para o mais alto e se beijaram como despedida antes de prometer se verem novamente no outro dia. Dylan entrou pelas portas do hotel e fez o check-in enquanto Tyler voltava para seu apartamento.

Quando Dylan estava confortável em seu quarto aquela noite, exausto, era impossível acreditar que tinha vivido aquele dia. Ele nunca imaginaria algo dessa forma acontecendo. Tyler era incrível e ele estava agradecido por ter tido a oportunidade de lhe conhecer e poder passar o resto da semana com ele.

Programou o alarme para a manhã seguinte quando o telefone tocou sinalizando uma nova mensagem.

Boa noite.

Era de um número desconhecido, não listado nos contatos de Dylan, mas ele tinha certeza de quem era. Sorriu e respondeu a mensagem rapidamente antes de guardar o celular e ir dormir.

Boa noite. Obrigado pelo incrível dia. Mal posso esperar por amanhã.